Entre os dias 5 e 24 de março, Salvador recebe a mostra inédita “O Cinema anticolonial de Sarah Maldoror”, considerada uma das primeiras cineastas negras a filmar no continente africano. A programação é gratuita e será realizada na Sala Walter da Silveira, após passar pelo Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro e em São Paulo. Trata-se de uma das retrospectivas mais abrangentes já dedicadas à diretora no país, ressaltando seu papel pioneiro no cinema negro e no cinema feito por mulheres.
Ao todo, serão exibidas 34 produções, entre curtas e longas-metragens. Destas, 19 têm direção de Maldoror e as demais são assinadas por realizadores que dialogam estética ou politicamente com sua obra.
A curadoria é de Lúcia Monteiro, Izabel de Fátima Cruz Melo e Letícia Santinon. A abertura acontece no dia 5, às 18h, com a exibição de “Monangambé” (1968), primeiro filme da diretora. Em seguida, às 19h, será apresentada a versão restaurada de “Sambizanga” (1972), seu trabalho mais conhecido e premiado no Festival de Berlim. Inspirado em texto de Luandino Vieira, o longa acompanha a prisão e tortura de um homem acusado de integrar um movimento revolucionário.
A programação inclui ainda obras nas quais Maldoror atuou como assistente, como “A Batalha de Argel” (1966), de Gillo Pontecorvo, além do documentário “Elas”, do argelino Ahmed Lallem, que será exibido pela primeira vez na capital baiana. Também integram a mostra produções de Chris Marker, como “Sem Sol” (1982) e um episódio da série “A herança da coruja” (1989), que utilizam imagens captadas por Maldoror.
A retrospectiva propõe ainda diálogos com cineastas negras latino-americanas. A diretora baiana Safira Moreira conduzirá a leitura dramática do roteiro inacabado “As garotinhas e a morte”, um dos mais de 40 projetos deixados por Maldoror. Quatro curtas-metragens de Safira também serão exibidos.
Nascida na França, filha de pai guadalupense, Sarah Maldoror (1929–2020) construiu uma filmografia com mais de quatro décadas dedicada às lutas de libertação em Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde, além de abordar imigração, engajamento político e pensamento decolonial. Seu cinema combina posicionamento político rigoroso e sensibilidade poética, com ênfase na subjetividade e no protagonismo feminino nas insurgências africanas.
A mostra conta com patrocínio do Banco do Brasil e produção da Vasto Mundo. A programação completa está disponível no site bb.com.br/cultura.





































