Mãe Denuncia Maus-tratos A Criança Autista Em Escola De Alagoinhas

Por Eric Vinicius*

Uma mãe denunciou publicamente um caso de maus-tratos a seu filho na Escola Municipal de Educação Integral do Campo, em Alagoinhas, no nordeste do estado. Segundo ela, a criança, que tem nível 2 de suporte autista e é não verbal, chegou em casa vestida em uma sacola plástica e suja de fezes.

Em entrevista ao Takta, Camila de Jesus Almeida explicou que, na última quinta-feira (24), recebeu uma ligação de sua mãe informando que a escola havia enviado seu filho de volta para casa, afirmando que não havia mais fraldas e roupas na mochila dele. Ao chegar, a avó recebeu o neto vestido em uma sacola.

Segundo Camila, os casos da escola em enviar seu filho de volta para casa, alegando não ter roupas ou fraldas na mochila, aconteciam de forma frequente. No entanto, sempre que ela abria a mochila, a mãe percebia que haviam vestimentas disponíveis para o filho.

“Minha mãe verificou o que estava dentro da mochila. Já aconteceu três vezes, quatro com essa, da escola me ligar dando a mesma justificativa que ele não tinha roupa e nem fralda. Porém, quando a gente chega em casa e verifica, está tudo na mochila dele”, explicou Camila. “Só que dessa vez aconteceu o cúmulo do absurdo. Mandaram ele para casa vestido em um saco com a fralda cheia de fezes”. Ela também afirmou que o filho pareceu abatido com a situação.

Camila disse  que imediatamente entrou em contato com a escola, cobrando explicações. Segundo ela, a própria diretora afirmou que tinha colocado a sacola para que ele não sujasse o carro da Secretaria de Educação, que levava o filho para casa.

“Eu disse a ela que eu não admitia aquilo, que eu não aceitava a forma como meu filho foi tratado”, comentou.

No mesmo dia, Camila fez uma denúncia na ouvidoria da Secretaria Municipal de Educação, que a recomendou não procurar outros meios e deixá-los resolverem a situação internamente. Ela, no entanto, não aceitou.

Ainda segundo Camila, a secretaria de educação entrou em contato com ela, propondo uma reunião na terça-feira (29). “Nessa reunião, eu saí com um sentimento de insatisfação, porque não vi nada de concreto. Falaram sobre centro para isso, centro para aquilo; inclusão disso, inclusão daquilo. Na teoria, mas na prática eu não vi nada. Não saí de lá com uma resposta concreta”, explicou Camila.

Na reunião, ela falou que não enviaria o filho para a escola enquanto a atual gestão continuasse no cargo. “Infelizmente, eu não me sinto segura em mandar meu filho para a escola sabendo que a gestora permanece lá”, disse Camila.

Propuseram a ela enviar o filho para outra escola, mas ela não aceitou, pois a mudança deixaria parecer que ele tinha feito algo de errado. “Eu disse que não, que não aceitava e queria continuar tomando as minhas providências. Independentemente das medidas que eles fossem tomar, eu ia continuar buscando todos os direitos que são do meu filho”.

Camila disse que não recebeu mais contatos da secretaria ou dos outros órgãos que contatou desde a reunião. Ela também não enviou mais seu filho para a escola.

“Eu não estou recebendo nenhum apoio, nenhum suporte psicológico. Nem para mim, nem para meu filho. Eu não estou recebendo nem por parte da escola, nem por parte da prefeitura, que também não entrou em contato comigo tentando resolver essa situação”, conta.

A equipe do Takta tentou entrar em contato com a prefeitura de Alagoinhas, mas não recebeu uma resposta até a publicação dessa reportagem. O espaço segue aberto para atualizações.

*com supervisão do jornalista Thiago Conceição. 

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