O progresso em direção à igualdade de gênero teve uma reversão em diversas áreas, em todo o mundo, nos últimos dois anos. E, de acordo com relatório da ONU, nenhuma das metas desse Objetivo de Desenvolvimento Sustentável tem um caminho seguro para ser atingida até 2030.
Na verdade, no ritmo atual, seriam necessários ainda 171 anos para alcançar a igualdade de gênero. A presença feminina no topo do poder político sofreu uma queda nos últimos anos.
Segundo Sarah Hendriks, Diretora de Assuntos Intergovernamentais da ONU Mulheres, seis em cada sete países ainda são liderados por homens. Mesmo quando elas assumem o poder, enfrentam mais barreiras para exercer suas decisões.
“As mulheres ocupam cerca de 22% desses gabinetes em todo o mundo. Este dado sofreu uma queda nos últimos dois anos, quando estava acima de 23%. E quando as mulheres realmente conseguem passar por essa porta, quando elas realmente acessam esses lugares de poder, elas são afastadas das próprias salas onde esse poder real existe, onde reside o poder econômico e de segurança.”
Além da queda nos números absolutos, o relatório aponta um padrão: mesmo quando acessam os espaços de poder, as mulheres são direcionadas para pastas sociais ou da família, isto é, longe dos ministérios que concentram as decisões econômicas e de segurança.
Na América Latina, apenas Bolívia, México, Peru, Costa Rica e Cuba alcançam a metade, ou próximo da metade, de mulheres nas câmaras legislativas municipais. No Brasil, a quantidade de vereadoras não chega a um quinto do total.
Outro obstáculo é a violência na vida pública. Durante campanhas eleitorais, em todo o mundo, 80% das candidatas ao parlamento e 60% das candidatas a governos locais relataram sofrer algum tipo de violência psicológica, sexual, econômica ou física.
O relatório da ONU mostra que a desigualdade de gênero está generalizada. Nas empresas de capital aberto, por exemplo, as mulheres ocupam apenas 5% dos cargos de CEO e 25% dos assentos em conselhos de administração. Quando o assunto é guerra, quase 8 em cada 10 processos de paz no mundo não tiveram mulheres como negociadoras ou mediadoras em 2025.
Além disso, no ano passado, os casos verificados de violência sexual em conflitos mundiais mais que dobraram em relação ao ano anterior.






























